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O Fado nasceu um dia,
Quando o vento mal bulia
E o cιu o mar prolongava,
Na amurada dum veleiro,
No peito dum marinheiro
Que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha,
Meu chγo, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de oiro,
Olhar ceguinho de choro
Na boca dum marinheiro
Do frαgil barco veleiro,
Morrendo a canηγo magoada,
Diz o pungir dos desejos
Do lαbio a queimar de beijos
Que beija o ar, e mais nada.


Ora eis que embora outro dia,
Quando o vento nem bulia
o cιu o mar prolongava,
ΐ proa de outro veleiro
Velava outro marinheiro
Que, estando triste, cantava.

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